×

No Caminho (2025), dirigido por David Pablos e lançado pela Max, consolida-se como um road movie que divide opiniões ao misturar romance e suspense nas áridas estradas mexicanas. A obra acompanha a colisão de mundos entre o caminhoneiro Muñeco e o jovem garoto de programa Veneno, explorando a sobrevivência, a ameaça criminal e o afeto em um ambiente hipermasculino.

Importância para a Comunidade LGBT
A força do longa reside em tirar a narrativa queer dos centros urbanos gentrificados e jogá-la na brutalidade do interior. Ele descontrói a masculinidade tóxica do universo dos caminhoneiros e dá visibilidade a personagens duplamente marginalizados pela pobreza e pela orientação sexual. Ao invés de uma jornada de simples aceitação, o filme mostra o desejo e o amor como atos de resistência bruta contra uma sociedade estruturalmente violenta e homofóbica.

Avaliações da Crítica

Pontos Positivos: A direção de Pablos é amplamente elogiada por sua crueza e tom claustrofóbico, mesmo em espaços abertos. A fotografia poeirenta traduz visualmente a solidão dos protagonistas, enquanto as atuações de Víctor Prieto e Osvaldo Sánchez recebem destaque pela química intensa e pela contenção dramática. A subversão do thriller tradicional também foi celebrada por veículos especializados.

Pontos Negativos: Boa parte da crítica aponta problemas de ritmo, especialmente na transição do drama íntimo para o suspense no terceiro ato. Alguns especialistas argumentam que o roteiro acaba sacrificando o aprofundamento emocional do casal para dar espaço às sequências de fuga e aos elementos criminais.

Recepção do Público

Pontos Positivos: A audiência exalta a representatividade realista e fora dos padrões elitizados. Espectadores LGBT destacam o valor de se verem representados em gêneros como o suspense de estrada, elogiando a coragem da obra em não higienizar a dura realidade latino-americana.

Pontos Negativos: A densidade constante e o tom pessimista afastaram parte do público, gerando debates sobre o esgotamento do tropo de “sofrimento queer” (queer trauma) no cinema. Além disso, a cadência lenta (slow burn) da primeira metade frustrou espectadores que esperavam uma dinâmica mais ágil e focada na ação desde os primeiros minutos.

Embora não seja uma experiência leve, o filme propõe uma reflexão indigesta e necessária, cravando seu espaço ao testar os limites de onde e como as histórias queer podem ser contadas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Autor

vandersonsamael@gmail.com

home

Assista: Feito Pipa Filme Brasileiro indicado ao Oscar 2027

Feito Pipa (2026), dirigido pelo cineasta cearense Allan Deberton, é um dos grandes destaques do cinema nacional recente e o representante oficial...

Leia tudo

Brasileiro que pediu asilo nos EUA por ser gay tenta voltar ao Brasil e evitar deportação para a África, diz defesa

O brasileiro Alex Pereira Alves, que trabalha como personal trainer e segurança em LosAngeles, enfrenta um momento dramático na justiça americana. Preso...

Leia tudo

Adolescente é agredido no Camaru, em Uberlândia, e família aponta homofobia

ma briga dentro do Parque de Exposições do Camuru terminou com a agressão de um adolescente, de 17 anos, na madrugada de...

Leia tudo

PM suspeito de matar mulher trans segue preso, Corpo estava escondido em local ermo, no Sul de Minas

Resumo do Caso A Vítima: Maryna Colucci de Jesus, 34 anos, conselheira tutelar residente em Jacuí, Minas Gerais. O Suspeito: Sargento da...

Leia tudo

Candidaturas LGBT+ aumentam 57% nas eleições de 2026

O registro de candidaturas LGBT+ bateu recorde nas eleições gerais deste ano. Até o momento, os partidos tem 514 nomes confirmados na...

Leia tudo

Será que o Conservadorismo faz sentido? Analisando os ‘bons costumes’ da história

O que exatamente significa “preservar os bons costumes”? 🤔 No vídeo de hoje, analisamos o conceito de conservadorismo e contrapomos essa ideia...

Leia tudo