- 0
- 418 words
No Caminho (2025), dirigido por David Pablos e lançado pela Max, consolida-se como um road movie que divide opiniões ao misturar romance e suspense nas áridas estradas mexicanas. A obra acompanha a colisão de mundos entre o caminhoneiro Muñeco e o jovem garoto de programa Veneno, explorando a sobrevivência, a ameaça criminal e o afeto em um ambiente hipermasculino.
Importância para a Comunidade LGBT
A força do longa reside em tirar a narrativa queer dos centros urbanos gentrificados e jogá-la na brutalidade do interior. Ele descontrói a masculinidade tóxica do universo dos caminhoneiros e dá visibilidade a personagens duplamente marginalizados pela pobreza e pela orientação sexual. Ao invés de uma jornada de simples aceitação, o filme mostra o desejo e o amor como atos de resistência bruta contra uma sociedade estruturalmente violenta e homofóbica.
Avaliações da Crítica
Pontos Positivos: A direção de Pablos é amplamente elogiada por sua crueza e tom claustrofóbico, mesmo em espaços abertos. A fotografia poeirenta traduz visualmente a solidão dos protagonistas, enquanto as atuações de Víctor Prieto e Osvaldo Sánchez recebem destaque pela química intensa e pela contenção dramática. A subversão do thriller tradicional também foi celebrada por veículos especializados.
Pontos Negativos: Boa parte da crítica aponta problemas de ritmo, especialmente na transição do drama íntimo para o suspense no terceiro ato. Alguns especialistas argumentam que o roteiro acaba sacrificando o aprofundamento emocional do casal para dar espaço às sequências de fuga e aos elementos criminais.
Recepção do Público
Pontos Positivos: A audiência exalta a representatividade realista e fora dos padrões elitizados. Espectadores LGBT destacam o valor de se verem representados em gêneros como o suspense de estrada, elogiando a coragem da obra em não higienizar a dura realidade latino-americana.
Pontos Negativos: A densidade constante e o tom pessimista afastaram parte do público, gerando debates sobre o esgotamento do tropo de “sofrimento queer” (queer trauma) no cinema. Além disso, a cadência lenta (slow burn) da primeira metade frustrou espectadores que esperavam uma dinâmica mais ágil e focada na ação desde os primeiros minutos.
Embora não seja uma experiência leve, o filme propõe uma reflexão indigesta e necessária, cravando seu espaço ao testar os limites de onde e como as histórias queer podem ser contadas.
