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Juliana Vittoria Gonçalves da Silva, de Uberlândia, no Triângulo Mineiro, passou décadas tentando conciliar o que sentia ser com o que esperavam que ela fosse. Aos 49 anos, decidiu iniciar a transição de gênero e, três anos depois, diz experimentar a liberdade de finalmente viver sem máscaras.

Antes de vestir a farda da Polícia Militar (PM) e construir uma carreira de 31 anos em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, a subtenente Juliana Vittoria Gonçalves da Silva precisou enfrentar uma batalha mais intensa do que qualquer treinamento militar: entender quem era.

Aos 4 anos, ela percebeu que o corpo que tinha não correspondia à forma como se percebia. Perguntou-se por que era diferente. A resposta que recebeu atravessaria sua vida.
A partir dali, segundo Juliana, começou um sofrimento que duraria décadas. Aos 49 anos, iniciou a transição de gênero e, pela primeira vez, passou a viver publicamente como a mulher que sempre sentiu ser.

Hoje, aos 52 anos e já na reserva da Polícia Militar, ela consegue olhar para a própria história com outra perspectiva.
‘Eu sempre identifiquei como figura feminina’
Juliana conta que, desde pequena, percebia diferenças entre meninos e meninas, embora ainda não tivesse compreensão sobre identidade de gênero.

A percepção de que era diferente ainda na infância foi, aos poucos, se transformando em um sentimento que, na época, Juliana ainda não tinha palavras para explicar.

Ao crescer, a jovem tampouco tinha referências que pudessem ajudá-la a compreender a própria identidade.

“Essa trajetória foi longa. Com isso a gente desenvolve depressão, ansiedade. Porque a sensação, eu falo que é uma das piores torturas: você está num corpo que você não se identifica. A mente é de um jeito e o corpo vem de outro.”

‘A gente apanhava para virar homem’
A infância de Juliana aconteceu em uma época em que as expectativas sobre meninos e meninas eram definidas e rígidas.

“Naquela época a gente apanhava para virar homem. Desde criança, o meu pai, meio machista, já falava: ‘Quando você crescer, você vai pegar as meninas, vai fazer isso, fazer aquilo’. Eu ficava em silêncio, não respondia”, relembrou.

Juliana tentou se adaptar. Jogava futebol, brincava com meninos e meninas. Mas havia momentos em que precisava esconder aquilo que lhe fazia feliz.

“Quando eu ia brincar de boneca eu brincava escondida porque eu não podia ser vista. No Natal era uma tortura porque minha irmã ganhava boneca e eu ganhava carrinho.”

Aos cerca de 7 anos, ela tentou convencer a si mesma de que aquilo era apenas uma fase e que, com a chegada da adolescência, tudo mudaria. Mas os 15 anos chegaram e nada mudou.

“Só piorou mais ainda porque as características masculinas foram aparecendo, as cobranças do meio social também aumentando, então ficou uma pressão muito grande.”

Fonte: G1

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vandersonsamael@gmail.com

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