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Lançado em 2023, Cassandro é uma cinebiografia vibrante que mistura a brutalidade da luta livre com uma jornada delicada de autoaceitação. Dirigido por Roger Ross Williams (o primeiro diretor negro a ganhar um Oscar de curta-metragem documental), o filme traz uma atuação transformadora de Gael García Bernal.

Aqui está um mergulho na história e no impacto cultural dessa obra:


🤼 A História: De “El Topo” a “Cassandro”

O filme narra a trajetória real de Saúl Armendáriz, um lutador de El Paso que cruza a fronteira para Juárez, no México, para competir em lutas de Lucha Libre.

  • O Início: No começo, Saúl luta como “El Topo”, um personagem mascarado e genérico que raramente vence. No mundo machista da luta livre, ele é relegado ao papel de “exótico” (lutadores que se vestem de forma feminina), que tradicionalmente servem apenas como alívio cômico para serem humilhados e derrotados pelos lutadores “másculos”.
  • A Ascensão: Com o apoio de sua nova treinadora, Sabrina, Saúl decide subverter as regras. Ele abandona a máscara e cria Cassandro, um personagem exuberante, drag e assumidamente gay.
  • A Virada: Diferente dos outros exóticos, Cassandro se recusa a perder. Ele conquista o público com talento técnico e carisma, desafiando a homofobia sistêmica do esporte e tornando-se o primeiro exótico a conquistar um título mundial.

O filme também explora sua vida pessoal, incluindo o relacionamento complicado com o pai ausente, o amor profundo por sua mãe e seu romance secreto com Felipe (Bad Bunny), um fornecedor local que vive à sombra da própria sexualidade.


🏳️‍🌈 A Importância para a Comunidade LGBTQIA+

Cassandro não é apenas um filme sobre esportes; é um manifesto sobre identidade. Sua relevância reside em três pontos principais:

1. A Subversão do Machismo Latino

A Lucha Libre é um dos pilares da masculinidade tradicional mexicana. Ao ocupar esse espaço com brilho, maquiagem e saltos, Saúl (como Cassandro) forçou o público a respeitar um corpo queer através da excelência técnica. Ele transformou o “insulto” em “ídolo”.

2. Representatividade Sem Vitimismo

Embora o filme mostre o preconceito, ele foca na vitória. Cassandro não é uma figura trágica definida pelo sofrimento; ele é um herói resiliente. Para a comunidade, ver uma narrativa onde um homem gay latino triunfa em um ambiente hostil é extremamente empoderador.

3. A Presença de Bad Bunny

A participação de Bad Bunny (Benito Martínez Ocasio) é significativa. Como um dos maiores artistas do mundo, que frequentemente desafia normas de gênero na moda e na música, sua presença atrai um público jovem e heteronormativo para uma história de amor e identidade queer, ajudando a normalizar essas narrativas na cultura pop global.


Por que assistir?

O filme equilibra perfeitamente as sequências de ação no ringue com momentos de profunda vulnerabilidade. A química entre Gael García Bernal e Bad Bunny, embora breve, é um dos pontos altos que humaniza a busca de Saúl por afeto e aceitação.

Curiosidade: O verdadeiro Saúl Armendáriz atuou como consultor no filme, garantindo que a essência de sua luta (dentro e fora dos ringues) fosse preservada.

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vandersonsamael@gmail.com

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