×

A senadora Augusta Brito (PT-CE) apresentou o projeto (PL 1544/2026) para impedir que plataformas monetizem conteúdos com desinformação, discurso de ódio e misoginia. A proposta prevê retenção preventiva do dinheiro gerado por esse material, aviso ao autor das postagens em até 48 horas e direito de defesa. Se a plataforma for negligente e permitir lucro com conteúdo abusivo, também poderá ser responsabilizada.

Um projeto em análise no Senado altera o Marco Civil da Internet para proibir a monetização, direta ou indireta, de conteúdos que espalhem desinformação, discurso de ódio ou misoginia.

Ou seja, se um conteúdo atacar abertamente as mulheres, criando riscos reais de violência ou discriminação, a plataforma de internet será obrigada a bloquear preventivamente o dinheiro que aquela publicação renderia, mesmo antes de uma decisão da Justiça. O criador do conteúdo será avisado em até 48 horas e terá o direito de apresentar uma defesa para tentar recuperar o valor. A autora, senadora Augusta Brito, do PT do Ceará, lembra que hoje esse tipo de violência também é impulsionada pelo interesse financeiro.

A violência digital também tem interesse e incentivo econômico. Quando o ódio dá engajamento, quando a mentira gera audiência. E quando a misoginia vira negócio, a democracia e a dignidade das mulheres ficam vulneráveis. Esse projeto não censura ninguém. Ele apenas afirma que ódio e mentira não podem ser premiados com dinheiro.

Pelo texto, se a rede social for negligente e permitir que usuários continuem lucrando com conteúdos que já tenham sido considerados criminosos ou abusivos, a própria plataforma também poderá ser punida. Para evitar dúvidas sobre censura ou restrição à liberdade de expressão, o projeto ressalva que opinião pessoal, crítica, ironia, sátira e debate legítimo continuam protegidos. O alvo da proposta são conteúdos que usem a internet para espalhar ódio, misoginia ou desinformação com risco real de dano.

O texto define discurso de ódio como publicações que provoquem ou propaguem desprezo, rancor ou aversão contra grupos de pessoas, com risco real e iminente de discriminação, agressividade, crime ou violência.

No caso da misoginia, o projeto trata como ilícitas as publicações com esse mesmo objetivo quando dirigidas ao grupo das mulheres. Já a desinformação é definida como a divulgação de informação falsa com intenção de causar dano, quando houver consciência da falsidade ou negligência na checagem, desde que isso provoque ou torne iminente um dano real.

Fonte: Rádio Senado, Marcella Cunha

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Autor

vandersonsamael@gmail.com

home

Polícia Civil investiga agressão contra mulher trans em Balsas

A Polícia Civil do Maranhão investiga uma confusão que aconteceu na madrugada do último domingo (9) em um bar de Balsas. A...

Leia tudo

Decisão do STF estende Lei Maria da Penha a casais gays,mulheres trans e travestis, mas muitos ainda tem medo

Durante as ações da campanha Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização e ao combate à violência contra a mulher, especialistas, autoridades judiciais...

Leia tudo

Ratinho volta a causar polêmica após fala homofóbica em programa no SBT

O apresentador Ratinho foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo por suposta homofobia após uma declaração feita durante o programa exibido...

Leia tudo

Candidato a deputado de Moscou, condenado a 10 dias de prisão por Propaganda Gay

O candidato a deputado municipal de Moscou, Daniil Neonov, foi condenado a 10 dias de prisão administrativa depois que um tribunal considerou...

Leia tudo

Tribunal de Justiça de São Palo Condenou a igreja evangélica Ministério Voz da Verdade por homofobia

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou a igreja evangélica Ministério Voz da Verdade e dois líderes religiosos da instituição...

Leia tudo